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Google manda chips de IA ao espaço hoje e quer levar data centers para órbita

Por Nilson Santos Ciência e Tecnologia

Sem tempo? Veja os principais pontos em cerca de 44 s.

O Google está prestes a colocar sua inteligência artificial literalmente fora da Terra. Nesta quinta-feira, 1º de outubro de 2026, a empresa pretende enviar chips desenvolvidos para IA à órbita terrestre em um experimento que pode ajudar a definir se grandes estruturas de computação poderão funcionar no espaço no futuro.

O teste faz parte do Project Suncatcher, projeto de pesquisa do Google que investiga uma ideia que até pouco tempo parecia ficção científica: criar infraestrutura de computação para inteligência artificial em órbita, aproveitando principalmente a enorme disponibilidade de energia solar.

Resumo rápido

  • Google pretende enviar chips de IA ao espaço hoje, 1º de outubro.
  • O experimento faz parte do Project Suncatcher.
  • O satélite será levado pela missão Transporter-18 da SpaceX.
  • O objetivo é testar os chips contra radiação, calor, frio e as forças de um lançamento.
  • No futuro, vários satélites poderiam trabalhar juntos como uma infraestrutura de IA em órbita.
  • Ainda não se trata de um data center espacial comercial.

O que exatamente o Google está mandando para o espaço?

O primeiro passo é muito menor do que construir um gigantesco data center orbital.

O Google vai colocar em órbita um satélite experimental equipado com suas TPUs, sigla para Tensor Processing Units. Esses chips foram desenvolvidos especialmente para acelerar tarefas de inteligência artificial e são utilizados na infraestrutura computacional da empresa.

O satélite foi desenvolvido em parceria com a Planet e seguirá para a órbita terrestre baixa a bordo da missão compartilhada Transporter-18 da SpaceX.

A missão está programada para partir da Califórnia utilizando um foguete Falcon 9. A janela de lançamento prevista começa por volta das 15h18 no horário de Brasília, podendo sofrer alterações por condições técnicas ou meteorológicas.

Por que colocar chips de IA no espaço?

Existe um motivo que torna essa ideia muito mais interessante do que simplesmente dizer que existe uma inteligência artificial orbitando a Terra: energia.

Grandes sistemas de inteligência artificial exigem enormes quantidades de eletricidade. Além do consumo dos próprios processadores, data centers terrestres precisam gastar energia com sistemas de refrigeração e toda a infraestrutura necessária para manter milhares de chips funcionando.

Em órbita terrestre baixa, determinados satélites conseguem ter acesso quase contínuo à luz do Sol. Segundo o Google, sistemas desse tipo poderiam gerar até oito vezes mais energia solar do que instalações equivalentes na superfície terrestre.

Na teoria, isso permitiria criar enormes conjuntos de satélites alimentados por energia solar e dedicados ao processamento de inteligência artificial.

Mas existe um enorme problema: como resfriar os chips?

A mesma ideia que parece resolver o problema da energia cria outro desafio gigantesco.

Chips de inteligência artificial produzem muito calor. Em data centers tradicionais, sistemas de refrigeração transportam esse calor utilizando ar ou líquidos.

No vácuo do espaço não existe ar circulando.

Isso significa que simplesmente colocar centenas ou milhares de processadores dentro de um satélite faria a temperatura se tornar um dos principais obstáculos do projeto.

O Google está experimentando sistemas que combinam tubos de calor e radiadores para retirar energia térmica dos processadores e dissipá-la para o espaço.

O funcionamento real dessa solução será uma das coisas que os engenheiros tentarão observar durante o experimento em órbita.

E a radiação espacial?

Esse é outro problema que um computador dentro de um escritório normalmente não precisa enfrentar.

Partículas energéticas vindas do Sol e do espaço podem atingir componentes eletrônicos e provocar falhas nos dados armazenados pelos chips.

Antes do lançamento, o Google submeteu suas TPUs a testes com feixes de prótons enquanto os processadores executavam cargas de inteligência artificial.

Segundo a empresa, os resultados iniciais indicaram que as TPUs Trillium conseguiram suportar uma dose total de radiação superior àquela esperada durante uma missão de aproximadamente cinco anos.

Mesmo assim, testes em laboratório não conseguem reproduzir perfeitamente tudo que acontece em órbita. É justamente por isso que o experimento de hoje é tão importante.

O lançamento também é um teste de resistência

Chegar ao espaço já será uma prova para o equipamento.

Durante os primeiros minutos do lançamento, o satélite enfrentará vibrações intensas e forças de aceleração muito superiores às encontradas em condições normais na Terra.

O Google afirma que componentes individuais podem experimentar forças equivalentes a dezenas de vezes a gravidade durante determinadas etapas e testes relacionados ao lançamento.

Somente depois dessa viagem o verdadeiro experimento poderá começar.

Google quer criar uma rede de computadores ao redor da Terra

Se os primeiros testes forem bem-sucedidos, o plano se torna ainda mais ambicioso.

O conceito estudado pelo Project Suncatcher prevê vários satélites trabalhando próximos uns dos outros. Cada unidade poderia carregar diversos chips de inteligência artificial e dividir enormes cargas de processamento.

Mas existe um problema: para funcionar como um grande computador, esses satélites precisariam trocar quantidades gigantescas de dados extremamente rápido.

A solução que o Google está estudando envolve comunicação por laser entre satélites.

A precisão necessária é enorme. O próprio Google compara o desafio a atingir um alvo do tamanho de uma moeda a quilômetros de distância enquanto os dois pontos estão se movimentando.

O próximo grande teste já está planejado para 2027

O experimento de hoje é apenas o começo.

O Google pretende colocar dois novos satélites em órbita em 2027 para testar conexões de alta velocidade por laser.

Se essa tecnologia funcionar, vários satélites poderiam eventualmente compartilhar processamento e trabalhar como um grande conjunto de computadores no espaço.

Então teremos data centers gigantes orbitando a Terra?

Ainda é cedo para dizer.

Apesar do potencial, existem desafios enormes envolvendo custo de lançamento, fabricação de satélites, manutenção, comunicação, radiação e principalmente gerenciamento de temperatura.

Especialistas também apontam que esse tipo de infraestrutura ainda está distante de se tornar comercialmente competitiva com grandes data centers instalados na Terra.

Por isso, o satélite enviado agora não deve ser tratado como um data center espacial completo. O objetivo é coletar dados, encontrar possíveis falhas e descobrir se os componentes conseguem sobreviver e funcionar no ambiente espacial.

Por que esse experimento é tão importante?

A corrida pela inteligência artificial está fazendo empresas procurarem novas fontes de energia e novos lugares para instalar infraestrutura computacional.

Hoje parece exagerado imaginar milhares de processadores trabalhando acima das nossas cabeças. Mas também já pareceu exagerado imaginar milhares de satélites formando redes globais de internet.

Se o Google demonstrar que seus chips conseguem trabalhar de maneira confiável no espaço, uma das perguntas mais curiosas da computação moderna começará a receber uma resposta real:

o próximo grande data center do mundo pode não estar em nenhum país — pode estar orbitando a Terra.

Quando acontece o lançamento?

A missão Transporter-18 está prevista para esta quinta-feira, 1º de outubro de 2026, com lançamento programado a partir da Califórnia.

O horário previsto para abertura da janela é aproximadamente 15h18 no horário de Brasília.

Como acontece em qualquer missão espacial, o horário ou até mesmo a data podem mudar devido a condições meteorológicas ou questões técnicas.

O BaratoTech acompanhará o resultado do experimento e as próximas etapas do Project Suncatcher.

Fontes

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