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NASA quer produzir oxigênio com o solo da Lua — tecnologia já funcionou em testes

Por Nilson Santos Ciência e Tecnologia

Sem tempo? Veja os principais pontos em cerca de 32 s.

E se os astronautas do futuro não precisassem levar todo o oxigênio da Terra para viver e trabalhar na Lua?

A NASA está tentando tornar isso possível usando um recurso que existe em enormes quantidades por lá: as próprias pedras e a poeira que cobrem a superfície lunar.

Em setembro de 2026, a agência colocou a produção de oxigênio a partir do regolito entre as tecnologias prioritárias para sustentar futuras operações na região do polo sul da Lua.

E a ideia já passou da fase de simplesmente imaginar como isso poderia funcionar. Pesquisadores da NASA já conseguiram retirar oxigênio molecular de material que simula o solo lunar em testes realizados na Terra.

Resumo rápido: já é possível produzir oxigênio usando o solo da Lua?

Sim, a tecnologia já conseguiu extrair oxigênio de regolito lunar simulado na Terra, mas ainda não existe uma fábrica produzindo oxigênio na superfície real da Lua.

O oxigênio lunar não está disponível como um gás que os astronautas poderiam simplesmente coletar. Ele está quimicamente ligado aos minerais presentes nas pedras e na poeira lunar e precisa ser separado através de processos que exigem bastante energia.

A NASA agora quer avançar essas tecnologias para que, no futuro, recursos locais possam ajudar no suporte à vida, na produção de propelente e na manutenção de uma presença humana mais duradoura na Lua.

O que a NASA anunciou agora?

Em 8 de setembro de 2026, a NASA anunciou uma chamada para empresas, universidades e outras organizações apresentarem tecnologias destinadas à exploração de longo prazo da superfície lunar.

A iniciativa faz parte dos esforços da agência para desenvolver a infraestrutura necessária para futuras operações na região do polo sul da Lua.

Entre as áreas consideradas prioritárias está uma tecnologia conhecida como utilização de recursos in situ, ou ISRU.

O conceito é relativamente simples: em vez de transportar da Terra tudo o que uma missão precisa, tentar aproveitar materiais que já existem no destino.

No caso da Lua, um dos recursos mais interessantes é justamente o oxigênio preso aos minerais do regolito.

Mas como pode existir oxigênio dentro de uma pedra?

Ilustração mostrando oxigênio ligado aos minerais do regolito lunar

Quando falamos em oxigênio, normalmente pensamos no gás presente no ar que respiramos.

Na superfície lunar, a situação é diferente.

Grande parte do oxigênio está quimicamente ligada a elementos presentes nos minerais do regolito lunar. Isso significa que ele faz parte da própria estrutura das rochas.

Portanto, um astronauta não poderia simplesmente recolher um pouco de poeira lunar e respirar o oxigênio existente ali.

É necessário quebrar essas ligações químicas e separar o oxigênio dos demais elementos.

Esse é justamente um dos grandes desafios tecnológicos que NASA e empresas estão tentando resolver.

A NASA já conseguiu fazer isso?

Processo experimental de extração de oxigênio de regolito lunar simulado

Sim, mas existe uma diferença importante: os experimentos foram realizados na Terra usando materiais desenvolvidos para simular as propriedades do regolito lunar.

Em um dos testes realizados no Kennedy Space Center, pesquisadores trabalharam com aproximadamente 25 kg de regolito simulado dentro de uma câmara que reproduzia o ambiente de vácuo encontrado na Lua.

O material foi aquecido a aproximadamente 1.700 °C até derreter.

Depois, uma corrente elétrica foi aplicada ao material fundido. O processo permitiu separar oxigênio em forma gasosa dos metais presentes no simulante.

A NASA informou que conseguiu medir e coletar oxigênio molecular durante o experimento.

O teste é importante porque mostra que o princípio funciona em condições controladas semelhantes a alguns aspectos do ambiente lunar.

Isso, porém, ainda está longe de significar que basta enviar uma máquina para a Lua e começar a encher tanques de oxigênio.

A luz do Sol também pode ajudar

Outra tecnologia estudada pela NASA é a redução carbotérmica.

Em vez de depender apenas de sistemas convencionais de aquecimento, pesquisadores estão testando concentradores solares capazes de direcionar grandes quantidades de energia para o processo.

Em testes divulgados pela NASA em fevereiro de 2026, um protótipo integrou concentradores solares, espelhos, software de controle e um reator destinado ao processamento de regolito.

A ideia é aproveitar a luz do Sol disponível na Lua para ajudar a fornecer a enorme quantidade de energia necessária para transformar materiais locais em recursos úteis.

Segundo a NASA, tecnologias desse tipo poderiam futuramente contribuir inclusive para a produção de propelente usando materiais lunares e energia solar.

O oxigênio serviria apenas para os astronautas respirarem?

Não.

Respiração é a aplicação mais óbvia, mas o oxigênio também é extremamente importante para sistemas de propulsão espacial.

Oxidantes fazem parte de muitos sistemas de foguetes e veículos espaciais.

Produzir parte desses recursos diretamente na Lua poderia reduzir a quantidade de material que precisaria ser transportada da Terra para futuras missões.

Na prática, o objetivo não é apenas criar “ar lunar”. A ideia é desenvolver uma cadeia capaz de aproveitar recursos disponíveis na própria superfície para sustentar diferentes operações.

Por que não simplesmente levar todo o oxigênio da Terra?

Conceito de produção de recursos na Lua para reduzir suprimentos enviados da Terra

Tecnicamente isso é possível, e missões espaciais atuais dependem de recursos enviados da Terra.

O problema aparece quando o objetivo deixa de ser uma visita relativamente curta e passa a envolver uma presença humana frequente ou de longa duração.

Água, alimentos, equipamentos, peças, combustível e sistemas de suporte à vida representam massa que precisa ser lançada da Terra.

Quanto maior a dependência de reabastecimento terrestre, mais complexa se torna a logística de uma operação permanente.

Por isso, aprender a utilizar materiais encontrados na Lua é considerado uma peça importante para futuras missões de longa duração.

A NASA não está pensando apenas em oxigênio

A nova iniciativa da agência envolve cinco grupos principais de tecnologia.

  • Produção de oxigênio a partir do regolito: separar o oxigênio ligado aos minerais lunares.
  • Painéis solares verticais: desenvolver sistemas de geração, armazenamento e distribuição de energia para operações na superfície.
  • Geração de energia por radioisótopos: fornecer eletricidade em regiões ou períodos nos quais a energia solar não seja suficiente.
  • Fabricação avançada: produzir peças e materiais longe da Terra para reduzir a dependência de missões de reabastecimento.
  • Nanomateriais: desenvolver novos materiais que possam ter aplicações na exploração lunar.

O ponto em comum é diminuir a necessidade de transportar absolutamente tudo a partir da Terra.

Isso significa que uma fábrica de oxigênio será construída na Lua em breve?

Não.

Essa é justamente uma das diferenças mais importantes entre uma tecnologia experimental e um sistema pronto para uso operacional.

Os testes realizados até agora mostram que diferentes processos conseguem separar oxigênio de materiais que simulam o regolito lunar.

Mas uma máquina destinada à Lua precisaria funcionar durante longos períodos em condições extremamente difíceis.

Ela teria que lidar com vácuo, grandes variações de temperatura, poeira lunar abrasiva, disponibilidade limitada de energia e manutenção muito mais complicada do que seria em um laboratório terrestre.

Além disso, os sistemas precisariam escavar ou coletar regolito, processar grandes quantidades de material, separar o oxigênio, purificá-lo e armazená-lo de forma segura.

O que já sabemos e o que ainda não sabemos?

Fato: a NASA já demonstrou na Terra processos capazes de extrair oxigênio de materiais que simulam o regolito lunar.

Fato: em setembro de 2026, produção de oxigênio a partir do regolito foi incluída entre as tecnologias que a NASA quer acelerar para futuras operações na Lua.

Estimativa tecnológica: sistemas desse tipo poderão futuramente ajudar a produzir recursos para suporte à vida e propulsão.

Ainda não sabemos: qual tecnologia será escolhida para uma operação lunar de grande escala, quando uma instalação operacional desse tipo será colocada na superfície ou quanto oxigênio ela conseguirá produzir continuamente.

Portanto, não existe atualmente uma “fábrica de oxigênio lunar” funcionando na Lua.

Por que essa tecnologia importa?

Produzir recursos longe da Terra é um dos passos necessários para transformar missões espaciais pontuais em operações capazes de durar meses ou anos.

A Lua pode funcionar como um grande laboratório para aprender como extrair, processar e reutilizar materiais fora do nosso planeta.

Se essas tecnologias conseguirem atingir a escala necessária, futuras missões poderão depender menos de cargas enviadas constantemente da Terra.

E parte do material que hoje seria considerado apenas poeira e pedra pode acabar se tornando oxigênio, matéria-prima e até recursos relacionados à produção de combustível.

Conclusão: a Lua pode fornecer parte do que astronautas precisam

A ideia de produzir oxigênio a partir das pedras da Lua parece ficção científica, mas o princípio já foi demonstrado em laboratório com material lunar simulado.

O grande desafio agora é transformar experimentos em equipamentos confiáveis, eficientes e capazes de funcionar autonomamente no ambiente lunar.

A nova iniciativa da NASA mostra que essa deixou de ser apenas uma curiosidade científica e passou a fazer parte das tecnologias consideradas importantes para sustentar futuras operações humanas na Lua.

O passo decisivo, porém, ainda está pela frente: demonstrar que todo esse processo consegue funcionar de forma confiável na superfície lunar.

Perguntas frequentes

É realmente possível retirar oxigênio do solo da Lua?

Sim. O oxigênio está quimicamente ligado aos minerais do regolito lunar. Diferentes processos podem separar esse oxigênio, e a NASA já demonstrou a extração usando materiais que simulam o solo lunar em testes realizados na Terra.

A NASA já produz oxigênio na Lua?

Não. Os experimentos mencionados foram realizados na Terra com regolito lunar simulado. Ainda não existe uma instalação operacional produzindo oxigênio diretamente na superfície lunar.

Para que serviria esse oxigênio?

Ele poderia futuramente ser utilizado em sistemas de suporte à vida e também participar da produção de propelentes para veículos espaciais.

Como a NASA consegue separar o oxigênio das pedras?

Existem diferentes técnicas em desenvolvimento. Entre elas estão processos que aquecem o regolito a temperaturas muito elevadas e utilizam reações químicas ou eletrólise para separar o oxigênio dos minerais.

A energia solar pode ser usada para produzir oxigênio na Lua?

A NASA está testando sistemas que utilizam concentradores solares para fornecer energia a processos de extração. A tecnologia ainda está em desenvolvimento e não opera atualmente na superfície lunar.

Quando uma fábrica de oxigênio será construída na Lua?

A NASA não estabeleceu, nas fontes utilizadas nesta matéria, uma data para uma instalação comercial ou operacional de grande escala. As tecnologias continuam em desenvolvimento e testes.

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Fontes consultadas

NASA — NASA Calls for Proposals to Accelerate Lunar Surface Technologies, setembro de 2026.

NASA Kennedy Space Center — NASA Kennedy Breathes Life into Moon Soil Testing, maio de 2025.

NASA Johnson Space Center — Sunlight Extracts Oxygen From Regolith Using Solar Chemistry, fevereiro de 2026.

NASA — Lunar Surface Technology / In-Situ Resource Utilization.

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