NASA revela geoide da Terra em 3D e mostra por que o planeta parece “amassado”
O modelo representa o geoide da Terra, uma superfície matemática criada a partir das variações do campo gravitacional do planeta. Para tornar essas diferenças visíveis, uma das animações amplia as variações de altura em 10 mil vezes.
Atualizado em 30 de julho de 2026: a visualização foi publicada pelo Scientific Visualization Studio da NASA em 15 de julho de 2026 e recebeu uma atualização em 29 de julho. A agência disponibilizou vídeos, imagens em alta resolução e um modelo 3D interativo para download.
O que a NASA publicou?
A NASA apresentou diferentes versões da visualização do geoide. Uma delas mostra as variações gravitacionais em escala real, enquanto outra exagera essas diferenças para que possam ser observadas com facilidade.
| Visualização | O que mostra | Observação importante |
|---|---|---|
| Geoide em escala real | A superfície gravitacional nas proporções corretas | As variações são praticamente invisíveis na escala do planeta |
| Geoide ampliado | Elevações e depressões relacionadas à gravidade | As diferenças foram exageradas em 10 mil vezes |
| Modelo 3D interativo | Permite girar e observar o geoide por diferentes ângulos | Também utiliza a ampliação de 10 mil vezes |
Na versão apresentada em escala real, a própria NASA destaca que o geoide é surpreendentemente suave. Quando todo o planeta é observado, as variações são pequenas demais para serem percebidas visualmente.
O que é o geoide da Terra?

O geoide pode ser entendido como o formato que a superfície dos oceanos assumiria se fossem considerados principalmente a gravidade e a rotação da Terra, removendo temporariamente efeitos como ondas, ventos, marés e correntes marítimas.
Essa superfície imaginária também é prolongada por baixo dos continentes. Ela funciona como uma referência para estudar o campo gravitacional, medir altitudes, acompanhar o nível dos oceanos e calcular com maior precisão a posição de satélites.
Como a massa não está distribuída igualmente dentro e sobre o planeta, a gravidade também não possui exatamente a mesma intensidade em todos os lugares. Montanhas, fossas oceânicas, diferenças na densidade das rochas e estruturas existentes no interior da Terra ajudam a produzir essas pequenas variações.
A Terra realmente possui esse formato “amassado”?
Não. O modelo divulgado não representa o relevo físico da superfície terrestre e não mostra como a Terra seria fotografada do espaço.
A versão mais chamativa exagera as diferenças do geoide em um fator de 10 mil. Sem essa ampliação, o planeta continuaria parecendo extremamente liso quando observado em escala global.
A Terra também não é uma esfera perfeita. Por causa de sua rotação, ela é ligeiramente achatada nos polos e mais larga na região do Equador. Esse formato simplificado é chamado de elipsoide.
O geoide acrescenta ao modelo as irregularidades provocadas pela distribuição desigual da massa e pelo campo gravitacional. Por isso, ele apresenta pequenas regiões acima ou abaixo do elipsoide utilizado como referência.
Quais são as maiores diferenças mostradas pelo modelo?
De acordo com a NASA, a altura do geoide utilizada na visualização varia de aproximadamente 85 metros acima do elipsoide na região da Islândia até cerca de 106 metros abaixo do elipsoide ao sul da Índia.
Uma diferença de aproximadamente 191 metros pode parecer grande quando analisada isoladamente. Entretanto, ela é muito pequena diante do diâmetro da Terra, que possui milhares de quilômetros.
É justamente por isso que a ampliação é necessária. Sem o exagero visual, as elevações e depressões praticamente desapareceriam na animação.
Como o modelo foi construído?

A visualização utiliza dados do modelo gravitacional GOCO06s, desenvolvido pelo projeto Gravity Observation Combination.
Segundo as informações apresentadas pela NASA, o modelo foi construído a partir de mais de 1 bilhão de observações coletadas durante aproximadamente 15 anos por 19 satélites.
Entre as missões utilizadas estão a Gravity Recovery and Climate Experiment, ou GRACE, da NASA, e a Gravity Field and Steady-State Ocean Circulation Explorer, ou GOCE, da Agência Espacial Europeia.
Esses satélites conseguem identificar pequenas mudanças no campo gravitacional. As medições ajudam os pesquisadores a entender como a massa está distribuída e como água, gelo e outros materiais se deslocam pelo planeta.
Por que estudar o geoide é importante?
O geoide não é apenas uma imagem curiosa. Ele serve como referência para medições científicas que precisam de grande precisão.
- Determinação mais precisa do nível médio do mar;
- Estudo das correntes e da topografia dos oceanos;
- Cálculo das órbitas e trajetórias de satélites;
- Medição de altitudes em relação ao nível do mar;
- Monitoramento de geleiras, aquíferos e grandes massas de água;
- Estudo de terremotos, placas tectônicas e movimentos da crosta terrestre;
- Aperfeiçoamento de sistemas geodésicos e de posicionamento.
Modelos gravitacionais imprecisos podem provocar erros na determinação das órbitas dos satélites. Isso também interfere em medições do nível do mar, da circulação oceânica e de outros fenômenos estudados a partir do espaço.
Isso pode melhorar o GPS do celular?
O novo modelo 3D não representa uma atualização que deixará imediatamente o GPS de um smartphone mais preciso. A visualização foi criada principalmente para apresentar os dados científicos de maneira compreensível e interativa.
Entretanto, a ciência por trás do geoide faz parte da infraestrutura usada em geodesia, cartografia, navegação por satélite e determinação de altitudes. Sistemas de posicionamento precisam de modelos confiáveis da forma e do campo gravitacional da Terra para transformar sinais de satélites em coordenadas úteis.
Na prática, estudar o geoide ajuda a melhorar as referências usadas por mapas, sistemas de navegação, pesquisas climáticas e equipamentos profissionais de posicionamento. O benefício ocorre por meio da evolução dos modelos científicos, e não apenas pela publicação da animação.
Por que isso importa para quem acompanha tecnologia?
A visualização mostra como bilhões de medições realizadas por diferentes satélites podem ser transformadas em uma representação interativa e relativamente simples de explorar.
É um exemplo de como sensores espaciais, processamento de grandes volumes de dados e modelagem tridimensional ajudam a explicar fenômenos que não podem ser observados diretamente.
Além do impacto científico, tecnologias relacionadas à geodesia estão presentes em sistemas de navegação, agricultura de precisão, construção civil, monitoramento ambiental, previsão de mudanças no nível do mar e pesquisas sobre o clima.
A imagem da “Terra amassada” chama atenção, mas o conteúdo mais interessante está nos dados usados para produzi-la: mais de 1 bilhão de observações capazes de revelar diferenças extremamente pequenas no campo gravitacional do planeta.
Onde visualizar o geoide em 3D?
A NASA disponibilizou gratuitamente a animação, as imagens em alta resolução e o arquivo do modelo tridimensional em sua página oficial.
O modelo interativo pode ser girado com o mouse, com as teclas direcionais ou por gestos em dispositivos com tela sensível ao toque. A agência também oferece uma versão em escala real para mostrar como as irregularidades seriam praticamente imperceptíveis sem a ampliação.
Antes de compartilhar a imagem, é importante informar que as deformações foram exageradas em 10 mil vezes. Sem essa explicação, o conteúdo pode transmitir incorretamente a ideia de que a visualização representa o formato físico real da Terra.
Perguntas frequentes
O geoide mostra o verdadeiro formato da Terra?
O geoide representa uma superfície relacionada ao campo gravitacional terrestre. Ele não mostra o relevo físico da superfície nem a aparência que a Terra possui quando fotografada do espaço.
Por que a visualização parece uma batata?
Porque as variações de altura foram ampliadas em 10 mil vezes. Em escala real, as diferenças são praticamente imperceptíveis quando todo o planeta é observado.
Qual é a diferença entre geoide e elipsoide?
O elipsoide é uma representação matemática simplificada e lisa da Terra. O geoide considera as irregularidades provocadas pelas diferenças no campo gravitacional e na distribuição da massa do planeta.
Quais satélites forneceram os dados?
O modelo GOCO06s reúne observações de 19 satélites. Entre eles estão os satélites da missão GRACE, da NASA, e o satélite GOCE, da Agência Espacial Europeia.
É possível baixar o modelo 3D?
Sim. A NASA disponibilizou o modelo no formato GLB, além de vídeos e imagens em alta resolução, na página do Scientific Visualization Studio.
Fontes
- NASA Scientific Visualization Studio — The Geoid
- NASA Earthdata — Geodetics
- NASA Earthdata — The Precision Behind Sea Level Rise
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