Ciência e Tecnologia

Samsung cria tela que alterna entre 2D e 3D sem óculos

Por Nilson Santos Ciência e Tecnologia

Uma mesma tela capaz de exibir textos e vídeos normalmente em 2D e, quando necessário, mudar para imagens tridimensionais sem exigir óculos especiais. Essa é a proposta de uma nova tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Samsung Electronics e da Universidade de Ciência e Tecnologia de Pohang, a POSTECH.

O sistema utiliza uma lente extremamente fina formada por estruturas em escala nanométrica. Com controle elétrico, essa camada óptica modifica o caminho percorrido pela luz e permite alternar entre uma imagem plana de alta resolução e uma experiência 3D com diferentes pontos de vista.

Atualizado em 7 de agosto de 2026: a tecnologia foi apresentada em um estudo publicado na revista científica Nature em 22 de abril de 2026. Até o momento, trata-se de um protótipo de pesquisa, sem previsão oficial de chegada a celulares, tablets, monitores ou televisores comerciais.

O que os pesquisadores desenvolveram?

A equipe apresentou um display de campo de luz capaz de alternar entre os modos 2D e 3D. O componente central recebe o nome de lente lenticular de metasuperfície, ou MLL, na sigla em inglês.

Em vez de depender somente de lentes curvas e relativamente espessas, a tecnologia controla a luz com pequenas estruturas distribuídas sobre uma superfície plana. Essas estruturas são menores que o comprimento de onda da luz e podem executar funções ópticas normalmente associadas a componentes maiores.

Segundo o estudo, o conjunto óptico possui apenas 1,2 milímetro de espessura e alcançou um campo de visão de até 100 graus. Isso permitiria observar o efeito tridimensional de diferentes posições, sem depender de um único ponto exato diante da tela.

Como a tela alterna entre imagens 2D e 3D?

A mudança acontece por meio do controle da polarização, que representa a direção de oscilação da luz. Um controlador posicionado diante do display altera a forma como a luz interage com a metalens.

No modo 2D, o sistema faz a metalens atuar de maneira semelhante a uma lente côncava. Ela compensa o efeito da lente convexa existente no conjunto, permitindo que a luz siga praticamente em linha reta. O resultado é uma imagem plana, clara e adequada para leitura, navegação na internet, produtividade e vídeos convencionais.

No modo 3D, o controlador muda de estado e a metalens passa a trabalhar como uma lente convexa. A luz de cada parte da tela é direcionada para ângulos diferentes, fazendo com que os olhos recebam perspectivas ligeiramente distintas da mesma cena.

Esse processo cria a percepção de profundidade sem a necessidade dos tradicionais óculos 3D. A troca entre os dois modos é realizada pela aplicação de tensão elétrica, sem substituir fisicamente a tela ou adicionar um acessório externo.

Por que o 3D pode ser visto sem óculos?

As telas convencionais normalmente enviam a mesma imagem para qualquer pessoa posicionada diante do painel. Já um display de campo de luz distribui diferentes perspectivas de uma cena conforme o ângulo de observação.

Ao movimentar a cabeça para um lado ou para o outro, o usuário pode visualizar partes ligeiramente diferentes da imagem, simulando a forma como enxergamos objetos reais. Esse efeito é conhecido como paralaxe de movimento.

A proposta não é projetar um objeto físico no espaço como acontece nas representações populares de hologramas. A imagem continua sendo produzida dentro da área da tela, mas a distribuição direcionada da luz cria uma sensação convincente de volume e profundidade.

O que melhora em relação às telas 3D anteriores?

Telas 3D sem óculos não são completamente novas. Entretanto, sistemas anteriores frequentemente enfrentaram problemas como perda de resolução, lentes espessas, campo de visão limitado e necessidade de rastrear continuamente a posição dos olhos do usuário.

Característica Sistemas 3D convencionais Protótipo da Samsung e POSTECH
Uso de óculos Pode ser necessário Não é necessário
Campo de visão Frequentemente limitado a cerca de 15° Até 100° no estudo
Espessura óptica Lentes podem ser volumosas Conjunto de 1,2 mm
Modo 2D Pode sofrer perda de nitidez Modo 2D dedicado e de alta resolução
Alternância Pode exigir mecanismos mais complexos Controlada eletricamente

O campo de visão de 100 graus é mais de seis vezes maior que os aproximadamente 15 graus citados pela Samsung para algumas tecnologias convencionais. Em teoria, isso poderia permitir que mais de uma pessoa acompanhasse o conteúdo tridimensional de posições diferentes.

Protótipo funcionou com uma tela OLED

Os pesquisadores fabricaram uma metalens com área ativa de 25 cm², equivalente a uma peça de 50 × 50 milímetros. O componente foi instalado sobre um painel OLED e demonstrou imagens coloridas nos modos 2D e 3D.

O teste é relevante porque painéis OLED já são utilizados em celulares, tablets, notebooks, monitores e televisores. Ainda assim, a demonstração não significa que a tecnologia esteja pronta para ser aplicada imediatamente em telas de grande tamanho.

Produzir uma camada nanométrica uniforme sobre toda a superfície de uma televisão, garantir resistência, controlar custos e manter brilho e fidelidade de cores são obstáculos que ainda precisariam ser superados.

Onde essa tecnologia poderia ser utilizada?

Possíveis aplicações futuras de telas que alternam entre 2D e 3D

Caso o sistema seja ampliado e se torne comercialmente viável, a alternância entre 2D e 3D poderia ser útil em diferentes dispositivos:

  • Celulares e tablets: fotos, vídeos, jogos e visualização de objetos em 3D.
  • Monitores: modelagem, arquitetura, engenharia, criação de conteúdo e jogos.
  • Medicina: análise de exames e estruturas anatômicas com percepção de profundidade.
  • Educação: modelos tridimensionais de planetas, moléculas, órgãos e máquinas.
  • Lojas e publicidade: produtos apresentados com maior sensação de volume.
  • Sistemas de realidade aumentada: componentes ópticos menores e mais leves.

O modo 2D continuaria sendo importante para tarefas comuns, nas quais uma imagem plana, nítida e com resolução completa é mais útil. O 3D poderia ser ativado apenas quando o conteúdo realmente se beneficiasse da profundidade.

Por que isso importa para quem acompanha tecnologia?

O antigo mercado de televisores 3D perdeu força principalmente pela necessidade de óculos, pelo conteúdo limitado e pela experiência inconsistente. A nova pesquisa tenta resolver parte desses problemas sem transformar todo conteúdo em 3D permanentemente.

A possibilidade de escolher entre os dois modos torna a tecnologia mais flexível. Um celular poderia continuar exibindo mensagens e páginas em 2D, por exemplo, e ativar o 3D somente em jogos, fotografias, mapas ou modelos virtuais.

Para o consumidor, porém, a maior questão será o custo. Metasuperfícies exigem fabricação extremamente precisa, e ainda não há informações sobre preço, durabilidade ou consumo de energia em um dispositivo comercial.

Análise BaratoTech

A pesquisa resolve um problema importante das telas 3D: oferecer profundidade quando ela é útil sem sacrificar permanentemente a qualidade do modo 2D. O campo de visão mais amplo e a espessura reduzida também indicam um caminho mais prático do que grandes conjuntos de lentes.

Por outro lado, ainda existe uma distância considerável entre uma metalens de 5 centímetros e uma televisão de 55 polegadas produzida em milhões de unidades. Não há data de lançamento, produto anunciado ou preço estimado.

Portanto, o resultado deve ser visto como um avanço promissor em laboratório, e não como confirmação de que o 3D sem óculos chegará aos próximos celulares ou televisores da Samsung.

Perguntas frequentes

A tela precisa de óculos 3D?

Não. O sistema direciona diferentes perspectivas da imagem conforme o ângulo de observação, criando a percepção de profundidade sem óculos especiais.

A tecnologia já está disponível para compra?

Não. O estudo apresenta um protótipo experimental e não informa uma data para lançamento comercial.

A tela transforma qualquer vídeo 2D em 3D?

O estudo demonstra a exibição e a alternância entre os dois modos, mas não significa que qualquer conteúdo seja convertido automaticamente. A produção ou conversão das imagens tridimensionais depende de processamento e conteúdo compatível.

Essa tecnologia poderá ser usada em celulares?

Os pesquisadores citam eletrônicos de consumo como uma possível aplicação, e o protótipo foi testado sobre um painel OLED. Entretanto, não existe confirmação de um celular comercial utilizando o sistema.

Fontes da pesquisa

Analiso tecnologia com foco em custo-benefício seguindo as diretrizes editoriais do BaratoTech.

Quer acompanhar o futuro da tecnologia?

Veja no BaratoTech notícias e análises sobre ciência, inovação, IA, espaço, energia, robótica e tecnologias que podem impactar o que você vai usar nos próximos anos.

Ver Ciência e Tecnologia