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PRIMA: novo telescópio da NASA vai complementar o James Webb

Por Nilson Santos Notícias

Atualizado em 7 de outubro de 2026.

O James Webb ainda está revelando detalhes do Universo que nunca haviam sido vistos, mas a NASA já prepara uma nova peça para seu conjunto de telescópios espaciais. A agência escolheu o PRIMA, um observatório projetado para estudar uma faixa de luz que o Webb praticamente não consegue alcançar.

O nome vem de PRobe far-Infrared Mission for Astrophysics. A missão acaba de avançar para uma nova etapa de desenvolvimento e, se passar pelas próximas revisões da NASA, deverá ser lançada em 2033.

Mas existe um detalhe importante: o PRIMA não está sendo construído para substituir o James Webb. Na prática, os dois telescópios deverão enxergar partes diferentes do Universo e trabalhar de maneira complementar.

Resumo rápido

  • O PRIMA foi escolhido pela NASA para avançar para a Fase B de desenvolvimento.
  • Será o primeiro observatório da nova classe de missões Probe Explorers.
  • Seu espelho terá aproximadamente 1,8 metro de diâmetro.
  • O telescópio será especializado no infravermelho distante.
  • A missão poderá estudar água, formação de planetas, estrelas, poeira cósmica, galáxias e buracos negros.
  • O lançamento é atualmente planejado para 2033.
  • A missão inicial deverá durar cerca de cinco anos.

O que é o telescópio PRIMA?

O PRIMA é um novo observatório espacial projetado para estudar o Universo principalmente por meio da luz no infravermelho distante.

Em 23 de setembro de 2026, a NASA anunciou que o projeto havia sido escolhido para avançar para a Fase B. Essa é a etapa em que o desenho preliminar da missão e suas tecnologias são desenvolvidos em maior detalhe antes de uma decisão definitiva sobre a construção.

Isso significa que o telescópio ainda não está pronto e nem teve sua implementação final garantida. O projeto precisará passar por uma revisão de confirmação antes de avançar para a próxima fase.

Caso seja confirmado, o custo do projeto terá um limite de aproximadamente US$ 1,2 bilhão, sem considerar o lançamento e outros custos externos ao projeto.

O PRIMA também inaugura uma nova categoria de missões de astrofísica da NASA chamada Probe Explorers, criada para ocupar um espaço entre missões menores e os enormes observatórios espaciais de vários bilhões de dólares.

Por que a NASA precisa de outro telescópio se já existe o James Webb?

É aqui que o PRIMA fica especialmente interessante.

O James Webb é extremamente poderoso, mas nenhum telescópio consegue observar sozinho todas as formas de luz existentes. Cada instrumento é construído para trabalhar melhor em determinadas regiões do espectro eletromagnético.

O Webb observa aproximadamente de 0,6 a 28,8 micrômetros, passando pela luz vermelha visível, infravermelho próximo e infravermelho médio.

O PRIMA avançará muito além disso.

Seu espectrômetro FIRESS foi projetado para trabalhar aproximadamente entre 24 e 235 micrômetros, enquanto outros modos do observatório poderão chegar a comprimentos de onda ainda maiores.

Na prática, existe uma pequena sobreposição entre os dois telescópios, mas o PRIMA seguirá para uma região do infravermelho que o Webb não foi projetado para explorar profundamente.

PRIMA não será um “James Webb 2”

Também não faz sentido comparar os dois apenas pelo tamanho do espelho.

O espelho principal do James Webb tem cerca de 6,6 metros, enquanto o PRIMA terá aproximadamente 1,8 metro.

Isso não significa que o PRIMA seja simplesmente uma versão menor ou mais fraca.

O objetivo científico é diferente.

O novo observatório deverá operar em temperaturas extremamente baixas, próximas de 4,5 kelvin, ou aproximadamente -269 °C. Manter o telescópio tão frio reduz a própria emissão térmica do observatório, algo essencial quando os cientistas tentam detectar sinais extremamente fracos no infravermelho distante.

É como tentar enxergar uma pequena fonte de calor em um ambiente escuro: quanto menos calor o próprio equipamento emitir, mais fácil fica perceber o sinal que realmente interessa.

O Universo escondido atrás da poeira

Uma das maiores vantagens do infravermelho é sua capacidade de revelar regiões que podem permanecer escondidas em imagens feitas em luz visível.

Nuvens de gás e poeira estão espalhadas pelo Universo e participam de processos como o nascimento de estrelas e a formação de sistemas planetários.

O PRIMA deverá observar justamente alguns dos sinais emitidos por materiais frios presentes nessas regiões.

Isso permitirá aos astrônomos investigar ambientes onde estrelas e planetas estão se formando, além de estudar como poeira e elementos pesados foram se acumulando ao longo da história do Universo.

PRIMA poderá ajudar a entender a origem da água

Uma das áreas científicas mais interessantes da missão envolve algo extremamente familiar para nós: água.

Planetas se formam dentro de discos de gás e poeira ao redor de estrelas jovens. Dentro desses discos existem diferentes temperaturas e regiões onde a água pode aparecer na forma de vapor ou gelo.

O PRIMA deverá usar espectroscopia para analisar esses ambientes e medir a distribuição de água em discos protoplanetários.

Um dos programas científicos previstos pretende observar cerca de 200 discos ao redor de estrelas jovens. Essas medições poderão ajudar pesquisadores a entender como água e outros elementos são distribuídos enquanto planetas estão sendo formados.

A missão também poderá estudar cometas e asteroides para investigar diferentes hipóteses sobre a origem da água da Terra.

Isso não significa que o telescópio simplesmente descobrirá “de onde veio toda a água da Terra”. A questão é muito mais complexa. O PRIMA deverá fornecer novas medições que permitam testar melhor as teorias existentes.

Galáxias e buracos negros também entram na mira

A missão não ficará limitada a sistemas planetários.

Outro objetivo importante será investigar como as galáxias evoluíram junto com os buracos negros supermassivos presentes em seus centros.

Quando um buraco negro está absorvendo grandes quantidades de matéria, o ambiente ao seu redor pode liberar enorme quantidade de energia. Ao mesmo tempo, novas estrelas continuam se formando dentro dessas galáxias.

O PRIMA deverá ajudar os pesquisadores a separar e medir melhor esses processos, inclusive em galáxias distantes e envolvidas por grandes quantidades de poeira.

Os cientistas também querem entender como ventos extremamente poderosos expulsam gás das galáxias e se esse processo pode reduzir ou até interromper a formação de novas estrelas.

Os instrumentos do PRIMA

O projeto prevê dois instrumentos científicos principais.

FIRESS

O Far-Infrared Enhanced Survey Spectrometer será o espectrômetro do observatório.

Em vez de simplesmente produzir uma fotografia, a espectroscopia divide a luz recebida em diferentes comprimentos de onda. É algo parecido com separar as cores de um arco-íris, mas envolvendo frequências invisíveis aos nossos olhos.

Esse tipo de análise permite identificar moléculas, elementos químicos e características físicas dos objetos observados.

PRIMAger

O segundo instrumento será o PRIMA Imager, chamado de PRIMAger.

Ele combinará recursos de imagem, espectrofotometria e polarimetria para estudar propriedades da poeira, campos magnéticos e diferentes estruturas existentes no Universo.

Juntos, os instrumentos deverão permitir pesquisas que vão desde objetos do Sistema Solar até galáxias muito distantes.

Quando o novo telescópio da NASA será lançado?

O cronograma anunciado mais recentemente pela NASA aponta para um lançamento em 2033.

É importante tratar essa data como uma meta e não como algo definitivo.

O PRIMA ainda precisa passar por novas etapas de desenvolvimento e por uma revisão que analisará fatores técnicos, custos e cronograma antes de sua implementação completa.

Se confirmado, o observatório deverá realizar inicialmente uma missão científica de aproximadamente cinco anos.

O Jet Propulsion Laboratory, o JPL, ficará responsável pelo gerenciamento da missão, com participação de outros centros da NASA e parceiros internacionais.

O PRIMA será mais poderoso que o James Webb?

Essa comparação, embora inevitável, não é exatamente correta.

Para algumas observações o James Webb continuará sendo muito mais adequado. Para outras, especialmente no infravermelho distante, o PRIMA terá capacidades que simplesmente não fazem parte do projeto do Webb.

É por isso que a astronomia utiliza diferentes observatórios.

Telescópios ópticos, infravermelhos, de raios X e radiotelescópios podem observar o mesmo Universo, mas revelar fenômenos completamente diferentes.

O próprio objetivo da NASA é fazer com que o PRIMA ajude a preencher a região existente entre observatórios como o James Webb e os grandes radiotelescópios.

Análise BaratoTech

O mais interessante sobre o PRIMA não é a ideia de criar um sucessor para o James Webb. É justamente o contrário: a NASA está mostrando por que não existe um único telescópio capaz de responder todas as perguntas sobre o Universo.

Enquanto o Webb vem revolucionando a astronomia no infravermelho próximo e médio, existe uma grande quantidade de informação escondida em comprimentos de onda maiores.

O PRIMA pretende entrar justamente nessa região.

Se o projeto cumprir o que promete, poderá conectar várias peças que hoje são observadas separadamente: o nascimento de estrelas, a química dos discos onde os planetas aparecem, a presença de água, a evolução das galáxias e o crescimento de seus buracos negros.

E talvez seja essa complementaridade, e não uma disputa entre telescópios, o ponto mais importante da missão.

O que isso muda para quem não é astrônomo?

Não espere uma tecnologia do PRIMA aparecendo imediatamente no próximo celular ou notebook. Essa é uma missão de ciência básica e seu principal retorno será conhecimento.

Ao mesmo tempo, construir detectores extremamente sensíveis, sistemas criogênicos e instrumentos capazes de funcionar durante anos no espaço exige avanços de engenharia que podem encontrar outras aplicações no futuro.

Mas qualquer impacto comercial ainda é especulativo. O efeito concreto, caso a missão seja confirmada, será oferecer aos cientistas uma nova maneira de observar uma parte do Universo que permanece relativamente pouco explorada.

O lançamento ainda está distante. Se tudo seguir o cronograma atual, teremos de esperar até 2033 para ver o PRIMA começar essa nova etapa da astronomia infravermelha.

Perguntas rápidas sobre o PRIMA

O PRIMA vai substituir o James Webb?

Não. Os telescópios observam diferentes regiões do espectro e deverão ser complementares. O Webb continuará realizando suas próprias observações enquanto o PRIMA será especializado principalmente no infravermelho distante.

Quando o PRIMA será lançado?

A meta anunciada pela NASA em setembro de 2026 é realizar o lançamento em 2033, caso a missão passe pelas próximas revisões.

Qual será o tamanho do telescópio?

O PRIMA terá um espelho principal de aproximadamente 1,8 metro de diâmetro.

O que o PRIMA vai estudar?

Entre os objetivos estão formação de planetas e estrelas, distribuição de água em sistemas planetários, poeira e elementos pesados, evolução de galáxias e crescimento de buracos negros supermassivos.

Analiso tecnologia com foco em custo-benefício seguindo as diretrizes editoriais do BaratoTech.

Fontes

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